A verticalização de favelas foi tema da entrevista concedida pelo presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Sydnei Menezes, ao Jornal da Tupi, programa apresentado pelo jornalista Sidney Rezende, na Rádio Tupi. Na ocasião, foram debatidos os impactos e os riscos associados à construção de edificações com mais de sete pavimentos sem o acompanhamento de profissionais habilitados das áreas de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia.
“A verticalização está aumentando e acelerando. Ela ocorre em diversas comunidades, não apenas no modelo do “puxadinho” para acomodar um familiar ou gerar renda com aluguel. Hoje já existem construções de sete, oito ou nove pavimentos destinadas à comercialização desses espaços. Há muito tempo existe essa percepção de mercado associada à verticalização. Esse processo é um problema sério, principalmente sob o ponto de vista do risco, porque, se não houver uma construção adequada, seguindo normas técnicas da arquitetura e da engenharia, podem surgir consequências graves. Por outro lado, essa realidade também é reflexo do aumento significativo do déficit habitacional”, explica o presidente do CAU/RJ, Sydnei Menezes.
Durante a entrevista, o POUSO (Posto de Orientação Urbanística e Social), foi citado pelo presidente do CAU/RJ, Sydnei Menezes, como um instrumento capaz de promover a regularização e ampliar a segurança das edificações. O programa, criado em 1996 pela Secretaria Municipal de Habitação (SMH), tinha como objetivo oferecer apoio técnico às construções realizadas por moradores de comunidades da cidade do Rio de Janeiro.
“O POUSO funcionava como uma espécie de prefeitura avançada dentro da comunidade. Havia engenheiros, arquitetos e assistentes sociais acompanhando permanentemente as demandas locais. Isso permitia estabelecer regras, padrões urbanísticos e mecanismos de controle. Não era simplesmente ‘vou ampliar minha casa’. Havia análise caso a caso, autorização, verificação das condições do terreno e da viabilidade da construção”.